Sem medo de abrir mão de suas ferramentas favoritas: experimentação em UX design

Como designer de chatbots, às vezes é difícil apresentar a solução final do meu produto de forma clara, e a experimentação em UX Design ampliou meu horizonte sobre a complexidade das minhas entregas. Confira algumas dicas de como experimentar novas ferramentas neste post!

 

Existe um guarda-chuva amplo de especialidades dentro de UX. Como designer de chatbots, trabalho principalmente com a arquitetura da informação de uma conversa.

Na prática, é um processo que envolve metodologias e ferramentas diversas, e após uma profunda imersão nas dores do cliente, é proposta uma solução em formato de estrutura de fluxo — que contém todas as regras que definem o comportamento do bot de acordo com os inputs dos usuários.

Estes mesmos fluxos são acompanhados por todas as pessoas envolvidas na construção e evolução dos bots todos os dias. Por isso, podemos cair no costume de utilizar sempre a mesma ferramenta para os desenhos e apresentações da solução. Isso não necessariamente é bom, pois existem inúmeras ferramentas incríveis por aí — algumas com foco total na criação de chatbots — e, por isso, a experimentação em UX design se faz necessária para a inovação.

Um exemplo da experimentação em UX Design no meu trabalho

O maior desafio na apresentação de fluxos de um bot é que, por mais complexa que seja a arquitetura das informações contidas ali, sua documentação deve ser simples e clara para pessoas de diferentes perfis profissionais:

  • quem desenvolve precisa entender todos os detalhes da programação;
  • quem analisa os dados precisa ter visibilidade de todos os eventos que ocorrem na interação;
  • o cliente precisa compreender se todas as regras do seu negócio estão contidas ali corretamente e ainda ter visibilidade se o tom de voz do bot está coerente com o tom de sua marca;
  • entre muitas outras pessoas de especialidades variadas.

Nosso time de design já usou o Sketch, que é uma excelente ferramenta para UX design, mas limitante por só rodar em MacOS. Ele nos proporcionava fluxos bem similares aos que temos hoje.

Então, há uns dois anos, fomos seduzidos pelo Figma, onde a possibilidade de edição simultânea do time abriu novos horizontes. Grande parte da aventura de fazer do Figma a nossa ferramenta principal está detalhadamente descrita no texto do nosso Chatbot Design Kit do Adolfo Melo, no qual pode ser vista e utilizada a nossa galeria de componentes complexos que atendem nossas necessidades em diferentes plataformas, padronizando e dando agilidade aos desenhos de fluxos de conversa.

Por que decidi experimentar novas ferramentas de design?

Assim como a mudança de Sketch para Figma se deu através de experimentação, tentamos nos manter atualizadas de outras ferramentas que podem nos trazer benefícios de qualidade em nossas entregas. Um dos desafios mais recentes é que olhar para um fluxo gigantesco, contendo features variadas em uma conversa, pode ser complexo para uma pessoa que não é especialista de chatbots — é como se você estivesse olhando para a planta de uma casa e tentando visualizar a sala construída e pintada; possível, mas pode distorcer a percepção do resultado final.

Para tal demonstração, era necessário realmente desenvolver um fluxo feliz no BLiP, por exemplo, que apesar de simples de ser utilizado para construção de chatbots, demandava determinado tempo de uma pessoa não desenvolvedora como eu, pois o seu foco não é totalmente o design de um fluxo.

Diante desta necessidade de melhorar a qualidade das apresentações dos meus bots, comecei a analisar e experimentar ferramentas voltadas para desenho e mockups de chatbots. Assim, encontrei duas ferramentas simples, que apesar de não construírem bots, me permitiam mockar o resultado final da conversa e documentar detalhamentos técnicos específicos em um só lugar.

As ferramentas são Botmock e Botsociety, ambas com o foco no desenho e na apresentação de chatbots, uma vez que passei por este processo de experimentação de ferramentas com foco em UX design e, no meu produto em específico (os chatbots), tive a oportunidade de ampliar minha habilidade de apresentação do mesmo, gerando resultados mais claros e fiéis ao resultado final.

Os processos de experimentação em UX Design podem ser um pouco dolorosos de início, pois muitas vezes somos apegados à curva de aprendizado pela qual passamos para ficar aptos às ferramentas atuais. No entanto, se tem algo que aprendi com este processo de experimentação é que, para facilitar o meu processo de obter resultados cada vez melhores, é necessário estar disposta a agregar novas ferramentas ao meu leque de skills, pois não há inovação sem pesquisa e estudo. Sabendo que existem ferramentas voltadas a aquilo que você entrega, porque não experimentar e facilitar o seu processo?

Se você é UX Designer e sente um pinguinho de falta de algum detalhe em suas entregas, reflita que pode haver ferramentas existentes voltadas para seu produto, e que experimentá-las pode te parar algumas horas ou dias, mas também poderá transformar o meio como você processa suas demandas.

Você já experimentou alguma ferramenta que transformou a forma como você faz o seu trabalho? Se sim, compartilhe! Todo aprendizado de experimentação pode ser tão valioso para outros UXes quanto foi para você. 🙂


bianca post experimentação em ux design

Bianca Pinheiro

Aquariana com ascendente em leão, entusiasta de novas culturas, viajante deste mundo afora de Amsterdã ao Himalaya. Lésbica futurista, militante paciente que gosta de diálogos complexos. Designer de Produto especializada em joias, aprendendo e atuando como UX Designer na construção e evolução de chatbots na Take, defensora do design socialmente justo, economicamente viável e ecologicamente correto.

 

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