O papel de UX como facilitador das decisões de produtos digitais com ferramentas de priorização

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Neste texto, os UX Designers, Bianca Pinheiro e Fernando Lima, mostram várias formas de te ajudar na definição da estratégia de um produto digital através de ferramentas de priorização.
 
Dentro das diferentes áreas de atuação do papel de UX, independentemente do produto no qual você se encontra, a necessidade de priorização surgirá. Afinal, se tudo for prioridade, nada é prioridade, não é mesmo?
Neste texto, falamos de duas frentes diferentes de produtos considerando nossas experiências aqui na Take, que são em duas áreas diferentes.
A nossa equipe de desenvolvimento — da qual um de nós faz parte focando na evolução do BLiP, plataforma de criação, evolução e gerenciamento de contatos inteligente — tem o foco na complexidade da construção de um chatbot.
Já o time de Customer Success — em que outro de nós atua criando, evoluindo e gerenciando contatos inteligentes para clientes — mantém o alinhamento às solicitações dos clientes. Nesse caso, com nossos especialistas de dados focados na visão do negócio, cabe à nós, designers, a missão de não tirar o foco do usuário final. No fim das contas, o sucesso depende deles.
Nesta “briga” de interesses pelo melhor produto possível, as ferramentas de priorização são essenciais para analisar, pesar e decidir a ordem de evolução das nossas funcionalidades.

Por que priorizar?

A definição de novas funcionalidades nos produtos envolve muitos stakeholders. O papel de UX como facilitador de tomada de decisão sobre o produto nos dá o desafio de entender, analisar e, junto à equipe, priorizar o que realmente fará diferença na evolução.
É importante que todas as pessoas envolvidas estejam na mesma página sobre o porquê destas decisões, alinhando necessidades e os objetivos neste processo.
E, para isso, as ferramentas de priorização são valiosas na definição do caminho que o produto vai tomar e fazer com que todos os envolvidos estejam alinhados e satisfeitos.

Quais ferramentas de priorização usamos?

Cada ferramenta carrega uma razão pela qual deve ser utilizada. Devemos sempre envolver os stakeholders do projeto, pois precisamos entender as limitações, integrações e regras de negócio.
Veja algumas ferramentas que já utilizamos aqui na Take:

Canvas de priorização

Imagine que temos 20 funcionalidades mapeadas que poderiam melhorar a experiência dos nossos usuários.
Desenhar a arquitetura de todas elas, desenvolvê-las e colocá-las em produção seria um risco e, em alguns casos, até um desperdício. Então, por qual delas devemos começar, para da forma mais ágil possível, aprender com o usuário?
Em casos como este, é muito importante que os stakeholders participem e ajudem a tomar as decisões.
Para isso existe o canvas de priorização, no qual as funcionalidades são comparadas por importância e custo de desenvolvimento. O quadrante importância mostra o impacto que tal solução trará para o usuário, enquanto o custo envolve todo o trabalho de desenho, integração e desenvolvimento dela.

Assim, podemos tangibilizar de forma clara se algo custoso é luxuoso ou estratégico, e se uma melhoria de baixo custo é essencial ou trivial. Isso transformaria completamente a relação do usuário e de outros papéis envolvidos no produto, como a redução do tempo médio de atendimento em um determinado serviço.

Análise Kano

Se você já possui uma base de usuários expressiva e gostaria que a evolução do seu produto fosse baseada na satisfação deles, a análise Kano pode ser uma boa opção.
Ela é, basicamente, uma forma de predição do quanto os seus usuários ficariam satisfeitos se uma determinada feature fosse lançada.
Como ela funciona?
Separe as principais features que fazem sentido para a estratégia do seu produto e elabore um questionário com duas perguntas básicas sobre cada feature: como você se sentiria se a funcionalidade fosse/não fosse implementada?
Essas perguntas devem ter opções nas quais a pessoa consiga demonstrar seu grau de satisfação/insatisfação com a possibilidade, como por exemplo:

  • Eu gostaria muito que fosse assim
  • Eu acharia bom se fosse assim
  • Eu não tenho opinião sobre isso
  • Eu preferia que não fosse assim
  • Eu acharia muito ruim se fosse assim

Análise Kano
Fonte: Muzli
No final da pesquisa, você terá insumos valiosos sobre o que seus usuários esperam e não esperam ver no seu produto e o valor que aquela mudança pode gerar na rotina de uso dessa pessoa.
Eles podem ser divididos nas seguintes categorias:

  • Anti-feature
  • Questionável
  • Indiferente
  • Desejável
  • Básica
  • Encantadora

Tudo isso vai depender das notas dadas para as perguntas funcionais (se a feature fosse implementada) ou disfuncionais (se a feature não fosse implementada)

MoSCoW Method

Você deve estar imaginando que este método tem alguma coisa a ver com a cidade, mas, na verdade, é só para ajudar a memorizar.
MoSCoW significa Must-Have, Should-Have, Could-Have e Won’t-Have.
É uma ótima opção de framework se você procura uma forma rápida e didática de priorizar e definir o que faz ou não parte do escopo do seu projeto.

O framework se divide em quatro colunas e, para preenchê-las, você precisa do máximo possível de insumos levantados sobre as necessidades dos seus usuários e convertê-los em itens de ação

  • Must-Have: são features vitais para o funcionamento do produto. Sem elas, a principal entrega de valor do projeto se perde, e com isso, toda a sua essência, anulando seu lançamento ou existência. Exemplo: “Os usuários precisam de um fluxo de cadastro rápido e didático.”
  • Should-Have: são itens importantíssimos para a entrega mas que podem esperar por um a segunda versão do produto. Exemplo: “Nossos usuários deveriam ter a possibilidade de redefinir sua senha.”
  • Could-Have: são features que possuem uma entrega de valor expressiva, porém, por motivos de estratégia ou recursos, não podem ser entregues nas primeiras versões. Exemplo: “Nossos usuários gostariam de um ambiente de trabalho simultâneo.”
  • Won’t-Have: Aqui vão as features que não serão consideradas nas futuras entregas e não possuem um alinhamento estratégico com o projeto

Concluindo…

Além das que foram citadas, existem diversas formas de priorização que podem ser utilizadas na definição do roadmap de um produto.
Cabe ao designer, em conjunto com o Product Owner e/ou Product Manager, entender a estratégia e as necessidades dos usuários para que a priorização ocorra da forma mais certeira possível
Vale lembrar que é de extrema importância que todos os stakeholders sejam envolvidos nas decisões do produto. Uma das vantagens de todas as ferramentas citadas é que uma priorização bem feita, além de orientar as decisões do produto, coloca todos os envolvidos na mesma página.
Quais ferramentas você costuma usar para priorização e como elas têm funcionado pra você? Compartilhe conosco. 😉


bianca e fefo post ferramentas de priorização em produtos digitais
Bianca Pinheiro e Fernando Lima
UX Designers na Take
 

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