Aprendizados de um projeto inesperado como UX-PO de uma Action no Google Assistant

Um overview de processos e aprendizados da experimentação da Bianca Pinheiro, UX Designer da Take, como PO de um projeto de Action no Google Assistant, o assistente Me Leva.

 

Em minha rotina de trabalho contextualizada em mindset ágil, existem sempre aquelas “fases” em que entro em uma sensação de mais do mesmo. As atividades diárias parecem similares e o anseio por novos desafios acaba sendo combustível para explorar áreas e papéis distintos.

Este tipo de envolvimento permite que eu amplie minhas percepções da equipe e dos contextos em que estou inserida. Como UX Designer em busca da compreensão da empatia em esferas distintas, a mudança de ambiente possibilita um crescimento comportamental que me traz muita satisfação. É sobre uma dessas experiências de experimentação em outras posições que este texto compartilha, assim como seus aprendizados. Acompanhe e saiba mais sobre a história do Me Leva.

Como tudo começou: o desafio de criar uma Action no Google Assistant

Tudo começou com o desafio de um parceiro para a criação da melhor action do Google Assistant dentro de conceitos de boas práticas de UX Design. A competitividade e a possibilidade de reconhecimento de melhor projeto, assim que anunciada, despertou interesse em pessoas de perfis similares ao meu.

Diante do quadro aquecido da Take naquele momento, nenhuma de nossas células digitais tinha disponibilidade de assumir esta responsabilidade. Assim, calculei comigo mesma o valor estratégico do projeto e como ele se encaixaria paralelamente aos meus encargos rotineiros, e decidi assumir esta iniciativa como uma primeira experiência de Product Owner.

Há algum tempo venho me enveredando para um papel de UX que também é guardião e defensor do produto; ter um olhar cuidadoso para a experiência do usuário acaba englobando também métodos organizacionais e de priorização. Com esta visão, iniciei a jornada ainda meio perdida, mas que agora consigo compilar em cinco macro etapas muito claras, as quais seguem descritas com o processo e aprendizado de cada uma:

Aprendizados como PO do Me Leva

1. Formando a equipe perfeita

O meu cenário era: não há braço. Por isso, a equipe perfeita era formada por todas as pessoas que conseguissem se comprometer com alguma quantidade de tempo.

Foi importante saber com quem eu poderia contar neste processo que durou um mês, o raciocínio de que toda força era bem-vinda de nada me servia caso a equipe fosse composta por um único tipo de profissional. Por isso, além de recepcionar as pessoas que se dispuseram, houve também um “garimpo” de especialidades essenciais para compor um time autossuficiente a esta entrega.

Aprendizado: neste mundo mágico da empolgação inicial, acreditávamos ser capazes de produzir três actions no Google Assistant incríveis e seguindo boas práticas dentro da deadline.

2. Engajando a equipe perfeita

Com todo mundo a postos, minha primeira responsabilidade era “blindar” a equipe das adversidades da rotina e das demandas diárias. Para tanto, encontramos alguns horários regulares em nossas agendas para nos reunir e cocriar — nestes momentos sabíamos que foco e participação ativa eram recursos preciosos.

Aprendizado: o olho no prêmio e a sede por conhecimento nos motivaram a aplicar nossos aprendizados e experimentar métodos que muitas vezes não cabem em projetos reais do mercado.

3. Apresentando o planejamento

O Asana foi nosso melhor amigo. A visibilidade de um planejamento estruturado, tarefas organizadas, prazos estipulados e responsabilidades devidamente alocadas a cada um dos envolvidos nos dava velocidade de criação.

Na produção a todo vapor, havia desenvolvedores quebrando a cabeça com as APIs ao mesmo tempo que UX designers faziam pesquisas diretas, entrevistas semi estruturadas e traduziam tudo em insumos preciosos de usuários e persona do bot, extraindo o máximo das bagagens individuais de cada um.

Aprendizado: e foi neste momento que percebemos o quão ingênuo foi acreditar que poderíamos entregar três projetos inteiros e incríveis em tempo hábil e com saúde mental em dia. Aceitar que seria apenas uma action do Google Assistant e centralizar toda a nossa dedicação a ela foi a melhor decisão que poderíamos ter tomado.

4. Ser presente, ativa e aluna em todas as fases

As fases agitadas de desenvolvimento se sobrepunham, e o engajamento às vezes cambaleava, principalmente diante de outros projetos incríveis ou apertados de prazo que surgiam de todos os lados e a todos os envolvidos.

Assim, percebi então que uma prática simples como UX — de imergir nas dores e nos processos dos meus parceiros —, trazia não apenas conhecimento da área e diversidade de opiniões nas discussões, mas também mantinha a equipe mais dinâmica. Participar ativamente desde as pesquisas com usuários, passando pelas definições e desenhos de fluxos, construindo soluções cabíveis aos recursos técnicos de desenvolvimento que tínhamos, acompanhando a publicação da Action pelo Google, entendendo o funcionamento básico do DialogFlow, estudando as melhores práticas na construção de voz (literalmente! Em SSML), aprendendo a implementá-la na plataforma e finalmente testando, testando exaustivamente.

Aprendizado: em todo este encadeamento, a equipe multidisciplinar, engajada, determinada e que soube aproveitar a oportunidade de um desafio foi mestre e discípulo. No processo, houve aprendizados técnicos e sociais, que nenhum curso intensivo seria capaz de nos ensinar no mesmo período.

Desfrutando do resultado

Com suor, um pouquinho de desespero, muito aprendizado e momentos de descontração, cumprimos o desafio e entregamos a Action no Google Assistant. O resultado ainda não saiu, e por isso ainda não sabemos se fomos os vencedores da melhor Action.

De qualquer maneira, nada disse teria sido possível sem a equipe maravilhosa que esteve comigo! São estas pessoas fabulosas que embarcaram nessa aventura e duraram até o fim: Paulo Henrique Abreu, Gabriel Santos (Chico), Ermeson David, Aline Reis, Bruno Mourão de Araújo, Matheus de Almeida Rosa e outras pessoas iluminadas que foram suportes pontuais.

E se você leu até aqui, é com orgulho que apresentamos o Me Leva, um parceiro que te ajuda a montar roteiros de viagem em qualquer lugar no mundo, de acordo com o seu budget!

me leva action no google assistant criado na take

Para invocá-lo, basta abrir o Google Assistant no seu celular e dizer: “Falar com Me Leva!”

me leva action no google assistant criado na take funcionamento

Todo feedback é bem-vindo, então conta pra gente aqui nos comentários: o que achou da nossa Action Me Leva no Google Assistant?


bianca post action no google assistant

Bianca Pinheiro

Aquariana com ascendente em leão, entusiasta de novas culturas, viajante deste mundo afora de Amsterdã ao Himalaya. Lésbica futurista, militante paciente que gosta de diálogos complexos. Designer de Produto especializada em joias, aprendendo e atuando como UX Designer na construção e evolução de chatbots na Take, defensora do design socialmente justo, economicamente viável e ecologicamente correto.

 

Leia mais:

Treinamento de Conversation UX Design no Google: como foi e o que aprendi

Design de conversa no Google Assistant: agora que falamos, como fazer?