Assistentes de voz: onde estamos e para onde vamos?

Neste post do UX Designer Ermeson Lira, você vai aprender sobre o mercado de assistentes de voz, seus números, particularidades e tendências. Acompanhe!

 

Ok Google.

Ops, melhor não ler em voz alta, porque você pode acabar ativando o seu assistente de voz da Google e não ter uma tarefa para falar no momento. O mesmo para a Siri da Apple, a Alexa da Amazon ou a Cortana da Microsoft.

Apesar do debate sobre o sexismo presente na condição de assistente, vista majoritariamente como mulher, e os estudos para instaurar a neutralidade no gênero das assistentes virtuais, não dá para negar a praticidade que essas inteligências artificiais nos trazem.

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CEO da Google, Sundar Pichai, e o Google Assistant. Foto: Eric Risberg

Assistentes X Chatbots

Se a essa altura você ainda não interagiu com um assistente virtual, ou se ainda tem dúvidas sobre o seu conceito na prática, aqui está: de forma geral, assistentes são personagens conversacionais, gerados por computador, que simulam conversas para entregar informações baseadas em voz ou texto a um usuário através de uma interface web ou móvel.

Mas essa também não seria a definição geral de chatbots? Sim, e não se prenda às definições agora. A cada avanço que damos, mais essas tecnologias se combinam e mais turva fica a linha que as diferem.

Por ora, podemos dizer que os assistentes virtuais levam os chatbots um passo à frente. Na prática, é como se eles funcionassem em uma camada acima e pudessem ter inúmeros chatbots em sua coleção, servindo assim como funcionalidades extras, criadas por terceiros e que tornam os assistentes ainda mais robustos.

Um assistente virtual também pode absorver o comportamento do usuário e personalizar, ou até mesmo automatizar, a forma como interage com aquela pessoa com base em padrões de atividades.

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A nível de exemplo, o assistente pode aprender seus horários e locomoção para te oferecer auxílio em segundo plano. Foto: Visual Hunting

O que fazem?

A Alexa, a assistente virtual da gigante Amazon, pode definir alarmes, fazer listas de tarefas, reproduzir música ou notícias e até fazer compras, por exemplo. O Google Assistant, dependendo de onde esteja operando, pode identificar elementos em uma tela, realizar chamadas, enviar mensagens, manusear rotas etc. Cada assistente possui suas características e uma gama de ações disponíveis que também podem estar presentes em outros assistentes.

Abaixo, há um gráfico (em inglês) sobre o mercado de assistentes de voz e como as pessoas estão usando-os em seus smartphones.

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Crédito: Voicebot.ai – Voice Assistant Consumer Adoption Report

O acesso fica ainda mais prático quando levamos em conta que os assistentes, em sua maioria, já vêm vinculados aos mais diversos dispositivos: smartphones, carros, relógios, celulares e os pensados exclusivamente para os próprios: smart speakers.

Voz na caixa!

Traduzindo ao pé da letra, os smart speakers são caixas de som com integração com assistentes e que podem executar tarefas, como as citadas anteriormente, a partir de comandos de voz.

Esses dispositivos foram elaborados para atuarem principalmente em casas, uma vez que as interações não exigem o uso de mãos, e eles também podem atuar como dispositivos inteligentes que utilizam Wi-Fi, Bluetooth e outros protocolos de rede sem fio para ampliar o uso além de tarefas habituais e reprodução de áudio — como controlar dispositivos de automação residencial, por exemplo.

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Smart Speaker Echo, da Amazon. Foto: bestaiassistant /Visual Hunt / CC BY-SA

Sim, se você ainda não tem um smart speaker no centro da sua sala realizando tarefas virtuais para você ou até controlando as luzes da sua varanda, pode ser pura questão de tempo. Os valores dos smart speakers variam entre aproximadamente 395 reais, modelos de última geração, e 180 reais, normalmente o valor para os modelos de entrada. Embora os assistentes de voz ainda sejam consideravelmente mais populares em smartphones, o mercado das caixas de som inteligentes está em superaquecimento.

Quantos são?

De acordo com o relatório divulgado pela Voicebot.ai e Voicify, a base de smart speakers instalados alcançou 66,4 milhões nos EUA e 133 milhões globalmente em 2019. Representando um crescimento ano a ano de aproximadamente 39%. As estimativas apontam que a base global instalada de speakers está no caminho certo para atingir os 200 milhões até o final deste ano. É caixa pra caramba, não é?

O Echo da Amazon, o speaker onde a Alexa se encontra, continua com a maior fatia desse mercado, cerca de 61% contra os crescentes 24% do Google Home, onde está o Assistant. Juntos, Amazon e Google dominam 80% desse mercado, número que pode ficar ainda maior com a chegada da Alexa no Brasil. O HomePod da Apple e outros concorrentes mais conhecidos na Ásia continuam na luta para aumentar suas participações nesse montante.

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Smart Speaker HomePod, da Apple. Foto: MarkGregory007/ Visualhunt.com / CC BY-NC-SA

Vale ressaltar que, recentemente, o Facebook também fez a sua tentativa de colocar um alto-falante inteligente em nossas casas: trata-se do Portal, um dispositivo que também usa a inteligência da Alexa, mas traz uma abordagem mais visual, trazendo visor, câmeras e, obviamente, a capacidade de realizar chamadas de vídeo. O apelo do Portal está mais em se comunicar com as pessoas do que provê-las de assistência virtual.

Antes de tudo, voz

Já temos consideráveis casos de uso através de funcionalidades de terceiros (também chamadas de actions ou skills) que operam dentro dos assistentes. Há desde funcionalidades que oferecem receitas para que o usuário possa ouvir o modo de preparo enquanto segura panelas, até funcionalidades que conseguem dizer se a informação política dita pelo usuário é verdadeira ou falsa.

Contudo, mais importante que as funcionalidades entregues pelos assistentes é o modo como eles as entregam. Usando a abordagem voice-first, ou seja, ainda no meu mérito de maior tradutor ao pé-da-letra desse artigo: priorizando a voz.

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Smart Speaker Google Home. Foto: POCKET-LINT

Esse mindset, além de impulsionar práticas de acessibilidade – agora estamos diantes de interações hands-free, que também não dependem de componentes visuais ou textuais – também movimenta o mercado. Segundo Richard Stevenson, CEO da Red Box, “A voz tem muito mais valor do que qualquer outro meio de comunicação, porque transmite contexto, sentimento, intenção, emoção e ações, fornecendo inteligência real e gerando resultados de negócios valiosos”.

O futuro do mercado de assistentes de voz

É esperado que 50% das buscas sejam feitas por voz em 2020, é sabido também que os usuários normalmente não especificam em detalhes o que estão procurando, então, na hora do “Ok Google, encomende um bolo de chocolate pra mim” ou “Ei Alexa, compre algumas canetas”, como a sua marca irá ser eleita entre tantas para ser ouvida?

Assim, caberá aos assistentes desclassificar as marcas que não estiverem otimizadas para a voz, enquanto as que decidirem criar suas próprias experiências de voz, a partir de funcionalidades dentro dos assistentes, certamente ocuparão o seu lugar no topo. Já pensou em adaptar sua solução para o voice-first?


ermeson post mercado de assistentes de voz

Ermeson Lira

UX Designer na Take

 

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