Como o teste com usuário ajudou na configuração final da evolução do BLiP?

No último post, contamos como o Lean Inception nos auxiliou a identificar dores e ganhos dos nossos usuários, priorizar soluções e nos preparar para projetar a interface do BLiP com ênfase em construção, gestão e evolução de contatos inteligentes. Em nosso capítulo final, falaremos sobre a importância do teste com usuário e coleta de feedbacks para a configuração final de interfaces, e sobre como esse processo é feito na Take.

teste com usuário blip duplo diamante

Com a prototipação, chegamos na fase de definições e solução no double diamond

Reunindo e organizando insumos no “Toggle”

Diante de tantas informações, precisávamos de uma forma de organizá-las de forma simples e padronizada, facilitando o processo de criação de interfaces. Para isso, criamos um documento — baseado no “Intermission” da Intercom — que nomeamos “Toggle”. Basicamente, o Toggle reúne 6 tópicos que resumem informações necessárias para startar o projeto:

1. Definição do problema

Com tantas informações coletadas, é comum perder o foco na origem do problema do usuário que teremos que resolver. Nesse tópico, retomamos o motivo principal do projeto, resumindo o objetivo em poucas linhas.  

2. Job Stories

Job Stories são tarefas que serão executadas pelo usuário para cumprir seu objetivo no projeto. A estrutura das tarefas é definida no seguinte modelo:

Quando _______ eu quero _______ para que eu possa ______

Exemplo: Quando acessar a minha conta, eu quero ver todos os meus dados para que eu possa editá-los, corrigir e atualizar as informações quando necessário.

3. Escopo

No escopo, inserimos todos os campos, inputs e informações que serão necessários na interface do projeto.  

4. Insumos

Insumos são informações relevantes coletadas com usuários e clientes. Aqui entra o contexto do uso dessas pessoas, frases de entrevistas, etc.

5. Medição de sucesso

Precisamos saber se as features propostas tiveram aderência com os usuários quando entram em produção. Para isso, definimos o que é sucesso para cada uma das novas funcionalidades e mapeamos os eventos necessários para que a medição aconteça, possibilitando a criação de funis e relatórios para análise.

6. Notas

Notas são informações adicionais, como benchmarkings e outros exemplos.

Com o Toggle preenchido, estamos preparados para colocar as ideias no papel e prototipar.

Rascunhando e desenvolvendo o protótipo: por que prototipar?

Um protótipo é a tangibilização de uma ideia que resolva problemas e atenda necessidades de pessoas. No nosso caso, coletamos vários insumos no Business Origami e no Lean Inception, que foram a base para a criação das telas e interações. Através dessa prática, conseguimos validar nossos conceitos, coletar feedbacks e analisar interações de forma rápida e barata.

Iniciamos o protótipo com desenhos rápidos no papel ou no quadro (skecthes), que nos permitem visualizar a sequência de interações, organizá-las e corrigi-las.

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Sketches: Rápidos e baratos

Em seguida, criamos protótipos na ferramenta Sketch ou Figma, que podem ser em baixa ou alta fidelidade: a escolha é feita baseada na complexidade da interação. Interações mais simples podem ser projetadas utilizando os componentes finais da plataforma, pois não necessitam de tantas validações e reajustes. Interações mais complexas e que geram novos componentes pedem mais tempo de validação e ajustes.

Com as telas feitas, é hora de publicá-las no Invision e rodar os testes com usuários.

teste com usuário blip

Protótipos publicados no InVision

Mão na massa: os 5 passos para fazer o teste com usuário e coletar feedbacks

Passo 1: Recrutando pessoas

Não precisa de muito para testar um protótipo. No BLiP, seguimos a regra de ouro proposta por Jacob Nielsen de que testando com apenas 5 usuários conseguimos perceber 85% dos problemas de design em uma interface.

Para escolher os usuários de forma mais adequada para os testes, decidimos fazer uma relação de usuário por caso de uso. Com base nos objetivos das pessoas dentro da plataforma, definimos perfis de uso e, com isso, avaliamos se aquela determinada feature atende as necessidades do usuário.

Passo 2: Formulando um roteiro

Para dar uma orientação mais precisa e imparcial de forma que não influencie o teste, uma boa prática é criar um roteiro que guie o usuário. Optamos por criar o roteiro no formato de pequenas missões, simulando uma situação cotidiana.

Exemplo: “Imagine que você terminou de treinar um novo modelo de IA. Agora teste o seu modelo antes de publicá-lo.”

Passo 3: Conduzindo o teste

Um ponto importante durante a validação de um protótipo com o usuário final é fazer com que ele se sinta o mais tranquilo possível. Por isso, é indicado realizá-lo em um ambiente tranquilo e que seja conduzido de forma amigável pelo designer.

Passo 4: Documentando feedbacks

Durante os testes, dividimos nossa equipe. Enquanto havia um facilitador conduzindo o usuário durante o teste, os outros membros eram responsáveis pela documentação. Dessa forma garantimos que o usuário ficasse a vontade e que nenhum dado fosse perdido.

Após a bateria de testes, nossa equipe de design se reuniu para mapear as principais certezas, dúvidas e suposições referentes àquela feature através de uma matriz CSD.

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Matriz CSD (certezas, suposições e dúvidas)

Resultados

Com os testes de usabilidade do caso acima, conseguimos reduzir o número de passos do cadastro na plataforma de cinco para dois. Assim, diminuímos a fricção com nossos usuários, coletamos informações necessárias para entender seu perfil, validamos nossas ideias e economizamos tempo e dinheiro com o desenvolvimento das telas finais.  

Neste post, finalizamos a nossa série fechando o ciclo do nosso processo de design para evolução do BLiP. Esperamos que tenham gostado de acompanhar um pouquinho das nossas práticas e no que estamos trabalhando. Até a próxima! 😀

E fica o convite para conhecer melhor e testar gratuitamente a plataforma. Esperamos te ver por lá!


fabi e fefo post teste com usuário blip

Fabiana Kauder e Fernando Lima

UI e UX Designers da plataforma BLiP na Take

 

Leia os outros posts da série:

Como o Business Origami ajudou no direcionamento da evolução do BLiP?

Como o Lean Inception ajudou a configurar a evolução do BLiP?