White Hat UX: Dicas para projetar sem manipular

5 boas práticas para aplicar o White Hat UX ao desenhar experiências

 

Quantas horas por dia você passa em um ambiente virtual? Quantas vezes desbloqueia o celular só para encarar a tela sem ao menos perceber?

Em um dia normal, trabalhando como UI Designer e utilizando o computador na maior parte do dia, meu saldo foi: 10 horas e 24 minutos. Isso significa que eu gasto 65% do meu tempo acordada encarando interfaces digitais, uma realidade que partilho com grande parte das pessoas com quem eu convivo.

O digital está em toda a parte. Vivemos na “Era do Consumidor“, e as marcas se esforçam para fundir suas experiências físicas e digitais de forma homogênea.

É assim que nós, consumidores, ficamos cada vez mais exigentes não só em nossas experiências, mas em suporte emocional. Emojis, NPS, likes, reactions, corações: empresas são pressionadas o tempo todo a serem mais amigáveis, humanizadas, transparentes, sustentáveis.

Em contrapartida, trackear, explorar, adquirir dados e manipular usuários nunca foi tão simples — e as ferramentas destinadas a esse fim avançam em uma velocidade preocupante.

Aí vem o dilema: Designers devem seguir qual caminho? O da transparência, sustentabilidade, confiança — o que traz benefícios a longo prazo — ou tirar vantagem de dados que são tão fáceis de coletar para manipular o usuário, atraindo uma grande quantidade em um curto prazo?

Com o mercado digital crescendo exponencialmente, atrair muito e em curto prazo pode parecer tentador, mas não é sustentável. Sabedoria popular: É melhor ter 100 usuários que amam seu produto do que 200 que apenas usam. Por isso, o White Hat UX nunca foi tão valioso, e é sobre ele que vou falar com você neste post.

Afinal, o que é White Hat UX?

Em poucas palavras, White Hat UX é um conjunto de boas práticas para experiências melhores, que gerem significado e empoderem os usuários, de forma honesta e transparente.

O termo surgiu de “White hat SEO (Search Engine Optimization)”, e foi associado recentemente ao UX. Ainda é um longo caminho a ser explorado. Para ilustrar a ideia, escolhi alguns tópicos importantes do livro White Hat UX: The Next Generation in User Experience, por Trine Falbe, Kim Andersen e Martin Michael Frederiksen:

1. Títulos honestos

Comunique com clareza o que acontecerá com o usuário ao executar uma ação. Não escreva “Leia agora” em um botão se o que realmente irá acontecer é um redirecionamento para outra página, ainda sem o conteúdo prometido.

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2. Lei da similaridade

A psicologia da gestalt oferece uma série de princípios de design e usabilidade. Um dos principais é a lei da similaridade: quando dois objetos parecem ser o mesmo, eles são percebidos da mesma forma, e espera-se que o seu comportamento seja similar. Por isso, nada de quebrar a consistência!

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3. No Strings Attached

Não prenda o usuário. Se a sua plataforma oferece um período de teste gratuito, não é necessário pedir as informações do cartão de crédito até que chegue o dia de fazer o pagamento.

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4. Dê uma saída

O usuário precisa sempre identificar onde fica a saída ou o retorno se desejar sair de um fluxo.

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5. Não me faça pensar

Steve Krug escreveu o clássico do UX Don’t Make Me Think, e essa é uma ideia aplicável não só a software, mas na maioria das áreas. Um design mal projetado pode despertar reações como “O que aconteceu?”, “O que eu tenho que fazer agora?” ou “O que pode acontecer se eu clicar nesse botão?”. Literalmente, não me faça pensar.

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E aí, que tal se preparar para começar o seu detox digital? 😉

E por falar em um design mais transparente, confira este artigo sobre a UXCONFBR 2018 e veja o que aprendemos sobre o design como meio para inclusão!


fabi post white hat uxFabiana Kauder

UI Designer do BLiP

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